Já é difícil de me lembrar quando foi que me apaixonei por jogos eletrônicos. Não sei se foi com o saudoso Atari ou foi jogando Tetris na tela verde e preto de um PC-XT. Só sei que, como muitos dos meninos da minha geração, sou um amante dos videogames. Sempre gostei de encarnar heróis para salvar o mundo, sempre curti os desafios e as charadas, mas mais do que tudo, sempre fui um admirador da arte nos games, dos gráficos dos games em si. E qual foi a minha surpresa quando de repente, de uma geração para a outra, os games passaram de um universo bidimensional para um deslumbrante universo em três dimensões. À primeira vista, o ambiente com largura, altura e profundidade é de encher os olhos, ainda mais com o passar dos anos e com a tecnologia que avança de maneira exponencial. Mas, no momento dessa mudança, algo faltava. O que era? Eu digo: eram os belos gráficos 2D. Os famosos ‘sprites’, a animação quadro a quadro dos personagens, a jogabilidade lateral dos famosos sidescrolliongs. Mas logo veio a compensação, jogos com elementos em 3D, porém com a jogabilidade 2D. Legal! Mas ainda faltava algo. Os gráficos! Ainda bem que de tempos em tempos, apesar da crescente tecnologia, somos presenteados com belos jogos 2D com desenhos feitos à mão e com uma jogabilidade tão boa, que nos remetem aos saudosos tempos de Super Mario Bros.
Lembro aqui algumas obras que me cativam até hoje por seu visual 2D com seus personagens animados quadro a quadro e seus cenários deslizantes, como o clássico Mario, mascote da Nintendo, a gigante japonesa que mudou o mundo dos games domésticos com seu console NES, o famoso Nintendinho. Mario tinha um visual até que feio no começo, mas tinha uma animação impecável. Com o tempo o gráfico evoluiu e a beleza dos desenhos e a qualidade da animação continuou a crescer.
E quem não se lembra do personagem símbolo da Capcom, Mega Man, o robô menino, com capacidade de sentir como os humanos. Mega Man é minha série de games preferida e é a maior série de jogos cujo gráfico do personagem não foi alterado. Um gráfico simples, porém muito bem feito e funcional. Da série original, que conta com 9 capítulos, Mega Man só aparece diferente nos episódios 7 (SuperNES) e 8 (PlayStation). Nos capítulos de 1 a 6 (Nintendinho) e no mais novo capítulo 9 para os consoles de última geração, o robozinho azul traz o traço original e sua animação que, apesar de muito poucos quadros, continua a encantar os fãs de games 2D. A Capcom também lançou outra série no universo de Mega Man, trata-se de Mega Man X, uma série voltada a um público um pouco mais velho, com enredos mais elaborados. Nesse caso, destaca-se os episódios 4, 5 e 6 para o PlayStation, que contam com ‘sprites’ dos mais belos que eu já vi e joguei. Podemos ver a qualidade dos gráficos na seqüencia de quadros do personagem Zero abaixo.
Outro belíssimo game que contava com gráficos 2D de excelente qualidade foi “Sonic”. O debut do mascote da Sega no adorado Mega Drive nos presenteou com cenários incríveis, sprites muito bem desenhados e animados e uma jogabilidade inovadora que apresentava uma velocidade realmente alucinante para os padrões da época, além de nos trazer um dos personagens mais carismáticos da história dos games.
Agora, falando de arte de verdade, há uns dois anos atrás, fui presenteado com uma verdadeira obra prima, quando coloquei um novo game no meu PlayStation 2. Trata-se de “Odim Sphere”. O game é todo em 2D com gráficos pintados a mão. Seus cenários e personagens são incrivelmente bem feitos. O jogo é um dos mais bonitos que eu já vi na vida e conta com cenas tão belas, mas tão belas que você chega a se emocionar com tamanha qualidade. É realmente imperdível!
Vindo na carona dessa obra, a mesma produtora nos presenteou com outro game criado pela mesma equipe criativa, trata-se de “Princess Crown” para o PSP. Aos desapercebidos, o game até parece uma continuação de “Odim Sphere”, mas o enredo é outro e os personagens são novos, mas não menos cativantes.
Outra obra 2D recente que me vem à mente é o belo Braid, para o XBox 360. Um game que conta com belíssimos desenhos feitos a mão e uma animação de cair o queixo.
Mas o que realmente importa neste ‘post’, é a notícia que eu li hoje no site Nintendo World, o lançamento da releitura do clássico “A Boy and his Blob” para o Nintendo Wii. O game nasceu originalmente no Nintendinho em 1989 com o subtítulo “Trouble on Blobolonia” e foi desenvolvido por ninguém menos que David Crane, o pai de Piftall.
Conta a história que um imperador do mal resolveu dominar uma ilha, até então pacifica, chamada Blobolonia. Diante desta ameaça, uma ameba branca resolve correr em busca de ajuda, mas acaba, acidentalmente caindo no planeta Terra e assim encontrando um garoto que logo vira seu novo amigo e companheiro na jornada contra o tal imperador.
Para prosseguir com sucesso entre as fases laterais, você, que controla o menino, sempre precisa das habilidades da bolha, que é capaz de se transformar em vários objetos diferentes.
O clima do game promete ser o de um verdadeiro conto de fadas, com músicas suaves e belas e um relacionamento cheio de emoções entre o garoto e seu novo amigo gosmento.
O game é uma verdadeira aula de como se fazer um excelente jogo de videogame, sem precisar utilizar tecnologia 3D e sim, uma arte de ótima qualidade e sensibilidade, além de ser uma esperança aos amantes dos bons gráficos 2D de que o 2D não morreu e, cada vez que ele reaparece, mostra que está mais forte do que nunca.









































Carlos Sighieri é Profissional Liberal e atua na área de Ilustração e Design Gráfico desde 1998.


