Às eu sinto um pouco de resistência por parte de alguns clientes quando proponho a criação de um mascote para suas empresas ou produtos. Muitos dizem que fazer “bonequinhos” é muito infantil, que não se usa mais que isso, que aquilo, etc. Mas a verdade é que esse é um recurso muito usado por empresas do Brasil e do mundo. Um recurso que funciona e não é novidade.

O primeiro produto (ou um dos primeiros) que utilizou esse recurso foi a Igreja Católica, para tentar expandir sua doutrina. Na época, há séculos, eles utilizadas imagens ilustrativas para auxiliar a compreensão dos fiéis, já que na época, a leitura era privilégio de poucos. Assim, através de ilustrações de santos e personagens míticos, a Igreja divulgava suas crenças através de pinturas, entalhes, esculturas e afrescos que contavam histórias da Bíblia.

O principal objetivo da vinculação de um personagem à uma marca ou produto é humanizá-los e gerar, junto ao público-alvo, uma identificação direta. O mascote nada mais é que um interlocultor entre a marca e seu consumidor, é o porta-voz do produto.

Verdadeiros “garotos-propaganda”, alguns desses personagens marcaram nossa vidas. Um bom exemplo que marcou o mercado, é o Bibendum (do latim beber), mascote da Michelin. Seu design, inspirado em uma pilha de pneus, foi desenvolvido pelo desenhista O’Galop, e seu nome, que surgiu muito antes de seu visual, veio de uma frase proferida por André Michelin em 1893 durante uma palestra na Conferência da Sociedade dos Engenheiros Civis: “O pneu bebe o obstáculo”. Hoje, mais de cem anos depois, Bibendum continua representando a Michelin com seu carisma. Em 2000, ele foi eleito pelo jornal Financial Times e pela revista Report On Business, a melhor marca do mundo.

Algumas empresas se confundem na hora de vincular seus nomes ou produtos a personagens. Esse foi o caso de uma empresa de cosméticos brasileira que lançou uma linha de produtos infantis vinculada ao famoso cãozinho Snoopy, de propriedade dos estúdios Schulz. Depois de algum tempo, a empresa rompeu a parceria com a detentora dos direitos do personagem e contratou uma agência brasileira para desenvolver personagens específicos para sua linha de produtos.

Surgiu então a “Linha Mundo Marinho” com cinco personagens desenvolvidos especificamente para esses produtos: cavalo marinho, peixe, tartaruga marinha, caranguejo e estrela do mar. O resultado foi um sucesso! Pais e filhos se identificaram facilmente com cada um dos personagens. Segundo pesquisa desenvolvida pela detentora da marca “Mundo Marinho”, o primeiro item de persuasão de compra da nova linha foi os personagens seguidos pela fragrância dos produtos.

Muitas empresas brasileiras se utilizam muito bem do recurso dos mascotes. Vou citar algumas aqui, mas lembrando que muitas outras estão aí para comprovar que um bom mascote pode alavancar as vendas e aproximar a marca ao seu público.

Um mascote muito simpático e que tem uma atuação muito freqüente à sua marca é o Lequetreque, o peru da Sadia. Eu, particularmente, acho que a Sadia é a empresa brasileira que melhor faz uso de seu mascote.

Outra empresa que sabe utilizar seu personagem símbolo são as Casas Bahia, com seu cangaceirozinho.

A Folha de São Paulo imortalizou seus classificados na figura de um rato muito chato, repetitivo e, por que não dizer, feio, porém absolutamente funcional.

Um exemplo bem mais atual é o pacote de palhas de aço da marca Assolan, que sempre aparece dançando nas propagandas.

Algumas empresas se excedem na hora de criar seus mascotes, como foi o caso do Bradesco e seu ratinho Chip, massivamente criticado, acusado de ser plágio do americano Stwart Little.

Outro mascote interessante que anda figurando ultimamente pela televisão é a super sementinha de café da campanha “Beba Café”, do Ministério da Agricultura em parceria com a ABIC, que tem como objetivo alavancar o mercado nacional do produto.

Produtos digitais também contam com mascotes importantes no mercado, como o Tux, o famoso pingüim símbolo do Linux, a mulinha do Emule e o panda vermelho do FireFox. (Sim, o mascote do FireFox não é uma raposa e sim um panda vermelho, animal chinês, parente do urso panda, eis uma foto do bicho de verdade junto com o mascote).


Eu também já me aventurei nessa praia e cheguei a criar alguns mascotes como o Tuggy, o personagem vermelho que era mascote da Variari, uma das primeiras Agências Mobile do Brasil, à qual, tive orgulho de fazer parte da equipe original. Outros trabalhos que eu desenvolvi foram o farmacêutico para a empresa “Center Fórmula Cosméticos” e a baleiazinha, símbolo de um software mobile que a empresa onde eu presto serviço interno desenvolve.

O robozinho de quatro braços aí eu criei para ser mascote de um software de automação de processos. Os braços são para passar idéia de que o software pode realizar várias tarefas simultâneas, deixando o operador como um gerente, apenas monitorando os resultados.

Uns dos trabalhos que eu mais gostei de realizar nessa área foi a criação dos personagens para a linha de cuecas infantis “Zorbinha Dinossauros”. Cada personagem ilustrou um modelo da linha.

Esses foram apenas alguns exemplos do potencial que um mascote pode trazer para uma marca ou produto. Outros milhões de exemplos figuram pelo mundo. O que as empresas precisam fazer é se desarmar um pouco quando um profissional propõe a criação de um personagem para personificar sua marca, pois está mais do que provado que mascotes funcionam, vendem, são massivamente utilizados e traçam laços de fidelidade entre uma marca e seus consumidores.

P.S.: Pesquisei um pouco para conseguir algumas informações que coloquei neste ‘post’ e uma página que me ajudou muito foi esta: http://migre.me/2×2H