E dá-lhe cinema!

Sempre fui fã do bizarro diretor de cinema americano, Tim Burton. Desde que o esquisitão levou meu super-herói favorito às telonas em “Batman” e “Batman: O Retorno”, procuro assistir a seus filmes e entrar em seu mundo bizarro, macabro e completamente distorcido.

Depois de obras primas como “Edward Mãos de Tesoura”, “O Estranho Mundo de Jack”, “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”, “Peixe Grande”, “A Noiva Cadáver” e o, na minha opinião, fraco remake de “A Fantástica Fábrica de Chocolates”, Tim Burton, sua esposa, Helena Bonham Carter e seu braço direito, Johnny Depp estão de volta com o belíssimo “Alice no País das Maravilhas” (‘Alice in Wonderland’, no original).

Ao contrário do que muitos imaginam, o longa não é uma nova versão do clássico de Lewis Carroll, e sim uma continuação da história, que mostra uma Alice com seus vinte anos e que volta ao ‘Mundo Subterrâneo’ (como é chamado no filme). Lá, sem se lembrar que já havia pisado aquelas terras, ela encontra um mundo distorcido, bizarro, carregado de referências características de Burton.

Nesse momento em que a história do filme se passa, os habitantes do ‘Mundo Subterrâneo’ esperam a volta da Alice para cumprir uma antiga profecia, que diz que quando Alice voltar e matar o Jaguadarte (uma espécie de dragão) com a ‘Espada Vorpal’, a cruel Rainha Vermelha será banida e o reino voltará às mãos da Rainha Branca, que novamente governará em paz e harmonia.

A narrativa e o clima do filme envolvem o espectador de tal maneira que você se deixa levar pelo enredo e acaba entrando no filme. As interpretações estão excelentes e os efeitos são, no mínimo, belíssimos de se ver.

Mais uma vez o destaque vai para Johnny Depp com seu impressionante Chapeleiro Louco, completamente maluco, porém sensível e carismático, diferente do (mais uma vez, na minha opinião pessoal) frio e apático Willy Wonka de “A Fantástica Fábrica de Chocolates”.

Na outra ponta, Helena Bonham Carter faz uma impagável Rainha Vermelha. Com uma cabeçorra enorme, ela desfila sua arrogância de forma inteligente e hilária, criando uma vilã que se ama e se odeia ao mesmo tempo.

Sua inimiga-irmã, a Rainha Branca é trazida à vida pela excelente Anne Hathaway, que está engraçadíssima com seus trejeitos hilários e exagerados.

Alice é interpretada pela, até então desconhecida Mia Wasikowska, que não deixa por menos e dá vida a uma Alice introspectiva e, diria até depressiva, que vai se descobrindo no decorrer do filme até se tornar a heroína que todos esperavam. Com uma maquiagem pesada ao melhor estilho “Noiva Cadáver”, o filme mostra um outro lado da Alice que não lembra em nada o consagrado clássico dos estúdios Disney.

Tudo isso misturado com os vários personagens virtuais e semi-virtuais como o conhecido coelho que vive atrasado, uma lebre completamente maluca, os gêmeos gordinhos que, de tão bizarros se tornam simpáticos, a famosa lagarta que vive fumando um narguile e o mais que famoso Gato que Ri, tornam “Alice no País das Maravilhas” de Tim Burton mais do que um filme. Uma experiência cinematográfica que leva a imaginação aos limites e rompe as fronteiras dos contos de fadas. Uma continuação muito interessante para o conto que todos já conhecem. O clássico escrito por Lewis Carroll, imortalizado pela Disney e transformado pelas mãos bizarras, distorcidas, porém brilhantes de Tim Burton.

Imperdível! Em cartaz nos principais cinemas brasileiros nesta temporada.